"A morte saiu a rua num dia assim,
Naquele lugar sem nome para qualquer fim,
Uma gota rubra sobre a calçada cai,
E um rio de sangue de um peito aberto sai…
O vento que dá nas canas do canavial,
E a foice duma ceifeira de Portugal,
E o som da bigorna como um clarim do céu,
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu…
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual,
São olho por olho e dente por dente vale,
A lei assassina, a morte que te matou,
Teu corpo pertence a terra que te abraçou…
Aqui te afirmamos dente por dente assim,
Que um dia rira melhor quem rira por fim,
Na curva da estrada, há covas feitas no chão,
E em todas florirão rosas de uma nação! "

"A Morte saiu à Rua" é um EP de José Afonso, editado a partir do LP "Eu Vou Ser Como a Toupeira", lançado em 1972.
("dedicado ao artista plástico José Dias Coelho, assassinado a tiro, em 19 de Dezembro de 1961. Nesse dia, pelas oito horas da noite, cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, na então Rua dos Lusíadas e que hoje tem o seu nome, em Alcântara, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. Refira-se que José Dias Coelho foi assassinado por ser comunista e não, como é obvio, por ser artista plástico")
Texto e letra retirados do site "mylyrics.com"