Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Poema do fim-de-semana



Velhos!

Estamos velhos, meus caros!

Ou coisa pior,
a que nos julgávamos imunes.

Nós, que fomos sempre adeptos
de sorver tudo de um trago
e não deixar ossos
que prorrogassem as paixões…
E que éramos imortais
às aprendizagens da vida.

É ver-nos agora a aprender, ainda,
coisas,
como por exemplo
é possível amar sem tacto.
É ver agora como queremos, também,
o silencio dos olhos
e os intervalos entre as palavras não ditas
e os semblantes carregados.

E nos sonhos já quase não temos perversidades,
só abraços
e lágrimas
e amizades que nos apetece mendigar.

Estamos, portanto, velhos!

Resta-me, de nós,
o instinto mural de me esquivar às facas,
a maternal brutalidade que me protege
das vontades primitivas
do meu corpo frágil
e dos sadismos alheios.

E o vosso lugar num canto da alma.

Ao Cris e ao Gonçalo, companheiros fiéis de todas as demências,
gente que fala a minha língua.

Ana Luísa Rodrigues

Visita do Grupo de Prolongamento ao Jardim Zoológico da Maia



Ontem, dia 15 de Julho de 2009, as crianças do Grupo de Prolongamento Escolar de Arões S. Romão visitaram o Jardim Zoológico da Maia, com o apoio e patrocínio da Junta de Freguesia.

Os meninos e meninas fizeram novas amizades entre os animais do Zoo, como foi o caso do Nico, o leão-marinho responsável pelo espectáculo aquático a que assistiram, ou do hipopótamo Papu, que ajudaram a alimentar.

A visita incluiu um pequeno passeio no comboio da instituição, e a descoberta da Arca de Noé e da Quintinha.

Após a partida, foi ainda acrescentada, ao roteiro, uma passagem pelo Parque das Termas de Vizela, que permitiu um piquenique ao ar livre, e muita brincadeira.

As crianças anseiam, agora, pela próxima viagem, já agendada para quarta-feira, dia 22 de Julho.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

I Passeio Anual do Teatro de Arões



Foi no passado Sábado, 11 de Julho que o Teatro de Arões realizou o seu primeiro Passeio Anual de Grupo.

A iniciativa teve o apoio da Junta de Freguesia local e contou com a presença de alguns membros de Executivo.

O grupo teve a oportunidade de visitar em Famalicão a Casa-Museu do escritor Camilo Castelo Branco e o Centro de estudos Camilianos, projecto do arquitecto Siza Vieira, estabelecendo assim um elo de ligação entre o “escritor do passado” e o “escritor do presente”.

O Teatro Nacional de S. João foi também um palco de visita do Grupo, onde lhes foi apresentado e explicado o funcionamento do edifício, cuja composição se traduz em 3 Balcões, Camarotes de 1ª e 2ª ordem, Tribuna, Frisas, Plateia e Palco.

O almoço-convívio teve lugar no Palácio de Cristal, seguindo-se a visita às Caves do vinho do Porto-Calém, onde aprenderam o processo de vindimas da Régua e saborearam o magnifico Vinho do Porto.

No final da tarde, o Grupo realizou o Cruzeiro das Pontes, em ambiente de boa disposição, com o pôr de sol sobre o Rio Douro.

Para a organização, “este foi o primeiro de muitos passeios em grupo, onde se pretende a convivência dos elementos fora de palco, não descartando a componente educativa e cultural, como nos explicou Marta Lopes.

A Direcção do Teatro de Arões e o Centro de Estudos Camiliano estão a programar agora uma possível encenação da peça “A casa de Bernarda Alba” numa das salas de espectáculo deste Centro.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Sugestão de leitura: “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud


Unos Cuantos Piquetitos, Frida Kahlo

Estou exposta como um pano de chão enxovalhado sobre a mesa metálica.

Alguém me escalpa o crânio, como faziam os indígenas de uma tribo cujo nome não me recorda agora. A papa do meu cérebro entre os dedos.

O legista atira em voz grave para a plateia do anfiteatro do velho Instituto de Medicina Legal:
- Causa da morte: cepticismo. Não sobrou nada. Barrou a oxigenação do cérebro. Foi-se.
Ou melhor, se não estava morta, já está.

Ri, aterrorizado da sua necessidade de defesa.

Em cima, os narizes todos espetados para mim.
Na primeira fila, os caloiros de Medicina. Na sua sombra, os de Farmácia.
E, lá no alto, os enjoadinhos de Direito, que estão cá por obrigação.

Estou também eu, apertada ao Cris e ao Gonçalo por grilhões, um de cada lado, como figura no meu livro de curso.

Enquanto me fatiam o fígado, faz-se nova piada sobre iscas, que não me agrada.

Uma série de gargalhadas forçadas e nova constatação técnica:

- Afinal, parece que temos hoje sumo para os senhores juristas. – Reformula – Atropelamento com fuga.

A massa cá de cima regozija. A nossa vez chegou, finalmente!

O Gonças deita o olho aos apontamentos que rascunhei há cerca de meia hora:

Atropelamento com fuga.

- Tens mesmo o dom de antecipar, não tens?

- Infelizmente. E não sorrias, que a seguir vais tu.
Vá, vamos ver a morta, que ainda temos que almoçar antes da aula de Penal.

Abro os olhos.

Na mesinha de cabeceira dormem ainda o Regulamento do Programa Doutoral em Ciências Forenses, e uma candidatura já preenchida para a vaga da Action Against Hunger de Luanda.

Sob a cama, junto ao rosto, uma velha caixa de sapatos que exumei do seu cemitério ontem à noite, incentivada no meu masoquismo por qualquer coisa que não sei, um rio, um poema alheio, ou tudo junto.

Gravei-lhe um dia a uma letra trémula: Não abrir em caso de estado depressivo.
Nunca cumpro.
Três anos de poemas atafulhados. Poemas e rascunhos, que fiz questão deles.
- Faço questão dos rascunhos. Não sou uma porcaria duma vírgula para andar por aí a boiar nas estantes!
Trouxe os rascunhos.

Poetas…voláteis sempre, como o meu espírito. E eu com eles, por osmose, ou sem necessidade dela.

Lavei-me, vesti-me e comi.
Nesse entretanto, optei por Luanda.
Deitei os documentos ao saco e vim trabalhar com o futuro nos olhos, como é, de resto, comum nesta altura do ano.

O futuro…esse amigo magnético e desconhecido que me vai mantendo de pé nas horas menos boas.

ANÚNCIO



Procuro mulher sincera e cautelosa,
bela, hábil na cozinha e na cama,
de boa linhagem, sábia e eficiente,
que seja cuidadosa, terna, doce,
extrovertida e de aspecto elegante.

Que se dispa lentamente e tenha
carta de condução, uma carreira,
olhos grandes e boca muito suave.

Nem muitos nem poucos anos: os necessários.

Deverá, ainda assim, dar-me alegria.

Tem de praticar desporto, e gostar
de música clássica e de leitura;
atenta e sociável com os meus amigos.

Não interessa a cor do seu cabelo,
a raça ou a cultura. Quero apenas amá-la.
Quero que, ao vê-la, a vida comece.
Procuro apenas uma mulher preparada
para viver a minha prolongada morte.

Toni Montesinos Gilbert (Tradução de Manuel de Freitas), Telhados de Vidro: nº 5

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Visita a Coimbra fez a alegria das crianças do Prolongamento



Na passada quarta-feira, dia 8 de Julho, numa iniciativa conjunta da Junta de Freguesia de Arões São Romão, da Biblioteca de Arões e do Grupo de Prolongamento Escolar, realizou-se uma visita de estudo para as crianças do grupo, no âmbito do Projecto Contando a Cidadania.

Após um piquenique improvisado no Parque da Cidade de Coimbra, junto ao Mondego, as crianças visitaram o recinto do Portugal dos Pequenitos, fazendo, assim, as suas primeiras descobertas sobre a História, a Geografia, e a Arquitectura do país.

Seguiu-se a descoberta da Quinta das Lágrimas, e a exploração da relação do espaço com o conto “Namorados como…Pedro Inês”, que integrou as leituras do Projecto.

Foi notória a satisfação das crianças, que já anseiam pela próxima visita, ao Jardim Zoológico da Maia.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Sugestão de leitura: “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares



Tão menos trabalhoso ser Dorian Gray e cuspir no retrato…

Já não se fazem Bernardos, o que é lamentável.
Digo eu, que sou apenas uma guarda-livros.

É lamentável porque o desassossego é a poesia da vida.
O resto são palavras coladas noutras palavras à espera da passagem do tempo.

Deus, a existir, terá distribuído justamente o tédio pelos medíocres.

Novo Passe Escolar 4_18@ESCOLA.TP



O 4_18@ESCOLA.TP é um novo passe escolar que permite 50% de desconto no preço das viagens em transportes públicos, durante o percurso casa – escola e vice-versa.

Destina-se aos estudantes dos 4 aos 18 anos de idade, que não frequentem o ensino superior e não beneficiem de transporte assegurado pelas câmaras municipais.

Este cartão possibilita a realização de viagens sem número limite e em qualquer dia da semana, desde que dentro do percurso para o qual se valida.
É utilizável por 12 meses e abrange todos os transportes públicos colectivos de passageiros rodoviários e fluviais a nível nacional e ferroviários urbanos e regionais.

Para aceder, é necessária a obtenção, junto do estabelecimento de ensino, de declaração que comprova a matricula e a situação de não benefício de transporte escolar na respectiva área de residência e a entrega do impresso correspondente, devidamente assinado.

Para mais informações, consulte o site criado para o efeito.

Visita do Grupo de Teatro de Arões



O Teatro de Arões vai realizar no próximo dia 11 de Julho o seu primeiro passeio em Grupo, que se traduz numa Visita à Casa Museu de Camilo, em Vila Nova de Famalicão; Visita ao Teatro Nacional de S. João, Porto; Almoço Convívio no Palácio de Cristal, Porto; Cruzeiro das 6 Pontes, Rio Douro e Visita às Caves do Vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia.

O objectivo está no conhecimento de teatros e museus e no convívio entre os elementos do grupo.

O passeio é patrocinado pela Junta de Freguesia de Arões S. Romão.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Grupo de Prolongamento Escolar visita Quinta das Lágrimas



Esta quarta-feira, dia 8 de Julho, numa iniciativa conjunta da Junta de Freguesia de Arões São Romão, da Biblioteca de Arões e do Grupo de Prolongamento Escolar, organiza-se uma visita de estudo para as crianças do grupo, no âmbito do Projecto Contando a Cidadania.

No sentido de explorar mais profundamente as histórias que foram fazendo as delícias dos meninos e meninas durante o ano lectivo, o grupo optou por lhes dar a conhecer alguns dos espaços nelas referidos.

É o caso da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, cenário do conto “Namorados como…Pedro Inês” do escritor João Ricardo Lopes, que sai agora do imaginário dos petizes, que terão oportunidade de descobrir o local.

A visita programada inclui, também, a passagem pelo Portugal dos Pequenitos, campo lúdico da Fundação Bissaya Barreto, cujas potencialidades educativas são bem conhecidas.

Todas as despesas de transporte são gentilmente oferecidas pela Junta de Freguesia de Arões São Romão, que, desde o início do ano lectivo, apoia carinhosamente o Projecto
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Dos sarrabiscos que se fazem nos livros



Amo os livros com um lápis. Há quem veja nisso um crime grave.

Tenho a minha colecção do Vergílio toda intervalada de pequenos desabafos do género... Adoro este homem!
É um instinto que não controlo. Muitas vezes só me dou conta do feito anos mais tarde, numa segunda leitura.

Curiosamente, fui transportando o gesto de afeição para as obras técnicas.
E, então, é ver a frase repetida nas lições de penal do Figueiredo Dias e nos tratados de sabedoria constitucional do Gomes Canotilho.
Acho romântica esta minha capacidade de adorar, com a mesma intensidade, escritores, filósofos e juristas.

Já para as teses de que não comungo vou reservando um sem número de pontos de exclamação, encavalitados ora nas margens, ora nos fins de página, consoante o espaço branco disponível.
Quando a indignação é maior, chego mesmo a ter coragem para um... Só podes estar a brincar!

Um destes dias, dei por mim a rir sozinha, enquanto vasculhava os livros velhos do liceu. Tropecei nos Princípios da Filosofia de Descartes e apercebi-me, pela primeira vez, que lhe gravei na contracapa, provavelmente no meio do tédio de uma aula do décimo segundo ano: Não percebo a veneração que te fazem. Para mim, tens um raciocínio um bocado circular.

Envaideci-me da coerência das minhas ideias, que foram ganhando alguma consistência com o tempo. A dar-se o caso de estar errada, serei uma casmurra incorrigível, mas, como parto do pressuposto de que estou certa, vejo-me frequentemente como uma pessoa de verdades persistentes.

Os disparates que se escrevem nos livros dizem também muito sobre aqueles que não lemos, ou lemos pouco.
Na primeira página do meu Curso de Direito Comercial manteve-se o desejo: Atropela-me como se fosses um comboio.
E o desejo cumpriu-se. Algures, entre um pedido de escusa para a correcção da minha prova e as férias de Verão, o amor, que já me tinha estraçalhado, voltou a mim como um monstro, e por aí ficaram igualmente os meus parcos conhecimentos sobre a matéria da cadeira.

O amor é isso mesmo, um monstro que vai dando de si nas entrelinhas e nos espaços que se seguem aos parágrafos.
O amor aos livros não é excepção. Por isso os amo com um lápis.
Mas há quem veja nisso um crime grave.

Turismo Júnior Inatel 2009



A Fundação Inatel promove, pela primeira vez, o programa TURISMO JÚNIOR, dirigido a jovens com idades entre os 8 e os 17 anos.

De 24 a 30 de Agosto, o “Inatel Caparica” receberá centenas de jovens, proporcionando-lhes um período de férias em que não faltarão actividades de carácter cultural, lúdico e desportivo, incluindo iniciativas de desenvolvimento da língua inglesa, prevenção da toxicodependência, ateliers de expressão corporal, de cinema e música.

Os participantes ficarão alojados no acampamento, tomando as suas refeições no restaurante do centro de férias e os valores a pagar serão ajustados aos rendimentos do agregado familiar.

Para mais informações, contacte o Inatel
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