
Velhos!
Estamos velhos, meus caros!
Ou coisa pior,
a que nos julgávamos imunes.
Nós, que fomos sempre adeptos
de sorver tudo de um trago
e não deixar ossos
que prorrogassem as paixões…
E que éramos imortais
às aprendizagens da vida.
É ver-nos agora a aprender, ainda,
coisas,
como por exemplo
é possível amar sem tacto.
É ver agora como queremos, também,
o silencio dos olhos
e os intervalos entre as palavras não ditas
e os semblantes carregados.
E nos sonhos já quase não temos perversidades,
só abraços
e lágrimas
e amizades que nos apetece mendigar.
Estamos, portanto, velhos!
Resta-me, de nós,
o instinto mural de me esquivar às facas,
a maternal brutalidade que me protege
das vontades primitivas
do meu corpo frágil
e dos sadismos alheios.
E o vosso lugar num canto da alma.
Ao Cris e ao Gonçalo, companheiros fiéis de todas as demências,
Estamos velhos, meus caros!
Ou coisa pior,
a que nos julgávamos imunes.
Nós, que fomos sempre adeptos
de sorver tudo de um trago
e não deixar ossos
que prorrogassem as paixões…
E que éramos imortais
às aprendizagens da vida.
É ver-nos agora a aprender, ainda,
coisas,
como por exemplo
é possível amar sem tacto.
É ver agora como queremos, também,
o silencio dos olhos
e os intervalos entre as palavras não ditas
e os semblantes carregados.
E nos sonhos já quase não temos perversidades,
só abraços
e lágrimas
e amizades que nos apetece mendigar.
Estamos, portanto, velhos!
Resta-me, de nós,
o instinto mural de me esquivar às facas,
a maternal brutalidade que me protege
das vontades primitivas
do meu corpo frágil
e dos sadismos alheios.
E o vosso lugar num canto da alma.
Ao Cris e ao Gonçalo, companheiros fiéis de todas as demências,
gente que fala a minha língua.
Ana Luísa Rodrigues









